O bielorrusso Lev Vygotsky e o suíço Jean Piaget tinham muitas coisas em comum: nasceram no mesmo ano, 1896, eram psicólogos (além de psicólogo, Piaget também era biólogo e epistemólogo), ambos profundamente interessados em compreender o desenvolvimento infantil, e compartilhavam uma concepção parecida das crianças: as viam como seres ativos, atentos, que constantemente criam hipóteses sobre o seu ambiente.
As contribuições deles na área da psicologia da educação dispensam adjetivos, mas se tiver que mencionar um, escolho "essenciais".
Piaget defendia, em sua Teoria Cognitiva, que é no desequilíbrio que acontece a aprendizagem - ou seja, é na presença do desafio e do desconforto causado por ele que o sujeito, ao buscar novamente pelo equilíbrio, aprende. Piaget deu a esse processo de retomada do equilíbrio alguns nomes, sendo Equilibração o mais conhecido. E como funciona? Frente ao desafio, primeiro o indivíduo interage com ele nas diversas formas que conhece (assimilação), e a partir disso constrói novas estruturas cognitivas, amparadas pelas até então existentes, para acomodar essas novas informações (acomodação), retornando ao equilíbrio.
Já Vygotsky propunha a existência de dois níveis de desenvolvimento infantil - o real (funções mentais que já estão completamente desenvolvidas e que a criança, portanto, já consegue realizar sozinha) e o proximal - funções que a criança consegue alcançar com a ajuda de um terceiro (cuidadores, professores ou colegas). Nas palavras do próprio psicólogo, "a zona proximal de hoje será o nível de desenvolvimento real amanhã". Ou seja: aquilo que nesse momento uma criança consegue fazer com a ajuda de alguém, um pouco mais adiante ela certamente conseguirá fazer sozinha.
Aqui na Roda de Matemática nosso pensamento se alinha com os de Piaget e de Vygotsky - a todo momento tiramos nossos alunos de suas zonas de conforto, os desafiando com problemas matemáticos que em princípio eles não sabem resolver; e além disso nossos professores se despem da função de "ensinantes ativos" para assumirem o papel de “ponte” entre o que o aluno já consegue fazer sozinho e o que ele consegue desenvolver com uma pequena orientação externa.
Alguns livros que indicamos para quem quiser se aprofundar nos pensadores:
Educação e construção do conhecimento, de Fernando Becker. Ed. Penso
Revisitando Piaget, que tem Fernando Becker e Sérgio Roberto K. Franco como organizadores. Ed. Mediação
Vygotsky, da professora Teresa Cristina Rego. Ed. Vozes
Desenvolvimento e aprendizagem em Piaget e Vigotski, a relevância do social, de Isilda Campaner Palangana. Ed. Summus
Espero que tenham gostado!
Um abraço e até a próxima!
Ligia Carvalho dos Santos Zorzo - Co-fundadora da Roda de Matemática