Jo Boaler

Esforço produtivo - o que tem por trás das nossas aulas?

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Em plena Quarta Revolução Industrial, em que a robótica e a inteligência artificial avançam como nunca, em que a informação está na ponta dos dedos de (quase) todos, em que empregos antes impensados surgem a cada dia, quais ferramentas serão essenciais para nossas crianças e jovens?

O relatório do Fórum Econômico Mundial de 2016, listou as principais habilidades que serão valorizadas pelo mercado de trabalho num futuro próximo. Estas habilidades são centrais no trabalho que desenvolvemos na Roda de Matemática:

  • Capacidade de resolução de problemas complexos; 

  • Pensamento crítico (o pensamento estruturado, a capacidade de comunicação clara de suas ideias, habilidade de fazer as perguntas certas, de reconhecer o problema atrás do problema e de olhar para uma questão sob diferentes perspectivas);

  • Criatividade;

  • Coordenação das próprias ações;

  • Inteligência emocional;

  • Capacidade de julgamento e de tomada de decisões; 

  • Inclinação para ajudar os outros; 

  • Negociação; e

  • Flexibilidade cognitiva. 

Nas nossas aulas temos esforço produtivo, metodologias ativas, ensino afetivo, sempre tendo em mente que não existem cérebros matemáticos e que, portanto, todos podemos aprender em altos níveis (ideia central do Mindset da pesquisadora da Universidade de Stanford Carol Dweck).

Carol Dweck e Jo Boaler (também da Universidade de Stanford), de mãos dadas com as pesquisas em neurociência, nos mostram a importância do esforço para fortalecer nosso cérebro e fazê-lo crescer, criando conexões neurais mais fortes e duradouras. A valorização do esforço desconstrói a ideia de que determinadas matérias são para uns e não para outros. Ao empregar esforço para solucionar desafios difíceis, que em princípio achávamos que não conseguiríamos resolver, nos descobrimos potentes e capazes naquele assunto. 

Para que haja esforço produtivo é essencial que a metodologia seja ativa, ou seja, que o estudante passe a ser o principal agente responsável pela sua aprendizagem. Neste formato, o professor assume o papel de provocador e de observador ativo, fazendo sempre boas perguntas que possibilitem o aprofundamento do raciocínio e a consequente aprendizagem. Não entrega a resposta porque essa é uma descoberta que pertence ao estudante. Os alunos são expostos a desafios para serem investigados, explorados, testados e solucionados por eles próprios, ora pensando individualmente, ora trocando ideias e construindo soluções coletivamente. Nesta postura mais ativa há amplo espaço para o desenvolvimento de um raciocínio mais profundo e associativo. 

Se o conteúdo é desafiador e se o professor não ensina aos alunos as ferramentas de resolução, como garantimos que as crianças aceitarão se arriscar e se debruçar sobre o desafio? Criando um ambiente seguro e afetivo! 

Neste ambiente temos que garantir o tempo de pensar individual (para compreenderem do que trata o desafio e levantarem suas primeiras hipóteses). Isso transmite ao aluno a ideia de que o aprendizado é um processo, e que não conseguir entender de primeira, segunda ou terceira não quer dizer que ele não vá conseguir compreender aquele fundamento profundamente. Temos também que ouvir com genuíno interesse todos os raciocínios e hipóteses levantadas.

Outro ponto chave é trabalhar a formação do grupo, reconhecendo interesses comuns e necessidades distintas. Incentivar que as crianças recorram umas às outras para construírem coletivamente uma solução ou para compartilharem um caminho diferente (construindo, assim, a habilidade do real trabalho em equipe). 

Aqui na Roda as nossas crianças nos surpreendem a cada dia com a transformação positiva de suas posturas, se desenvolvendo, se aventurando e se apropriando dessas habilidades que serão essenciais para seus futuros. É possível criar ambientes propícios e muito positivos de aprendizagem. E é lindo de testemunhar!

Ligia Carvalho dos Santos Zorzo - Co-fundadora da Roda de Matemática 


Dez dicas para as crianças aprenderem a amar a matemática

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1. Nunca diga às crianças que você também é ruim em matemática

Essa é uma dica da professora Jo Boaler da Universidade de Stanford. Dizer isso transmite uma mensagem de que "ser ou não ser bom" na matéria é uma condição inata e que não há o que possamos fazer para mudar isso. As pesquisas na área da neurociência vêm derrubando essas crenças. Nosso cérebro é plástico e, portanto, todos são capazes de aprender.

2. Apresente conceitos básicos desde cedo

Podemos apresentar ideias que serão fundamentais no entendimento da matemática desde cedo. Ideias de ordenação, contagem, quantidade, classificação, divisão de objetos, simetrias etc, podem facilmente serem inseridas em brincadeiras com crianças ainda bem pequenas. 

3. Desconstrua a ideia de que ser bom em matemática é ser rápido e fazer sem esforço

O que mais podemos incentivar em nossas crianças é que elas amem os desafios. Para isso elas têm que ter tranquilidade de que não serão valorizadas pela velocidade, e sim pela profundidade e diversidade de seus pensamentos.

4. Mostre a matemática como importante e interessante

Que tal apresentar um desafio lógico interessante no almoço de domingo? Ou contar para seus filhos como a matemática nos ajuda a entender o mundo em que vivemos? Ou como a matemática está por traz de toda a tecnologia que tem mudado nossas vidas? Serão momentos inspiradores para as crianças.

 5. Ressignifique o erro

Para que as crianças se permitam investigar e levantar hipóteses sobre problemas que, a princípio, elas não sabem resolver, é imprescindível que o erro seja visto como parte natural, indissociável desse processo. Aqui na Roda de Matemática, dizemos que os "erros são nossos amigos", e essa é uma mensagem muito libertadora.

6. Elogie a postura

Troque elogios que se refiram a condições teoricamente inatas, como ser brilhante, ser inteligente; por elogios relacionados à postura da criança: esforço, persistência, até a alegria que ela eventualmente demonstre pelo desafio mais difícil. Os resultados das pesquisas da professora Carol Dweck mostram que quando uma criança é elogiada pelo seu “brilhantismo”, ela tende a querer manter esse status e limita suas escolhas ao que ela já sabe.

7. Compre livros de matemática

Existe uma quantidade enorme de livros que apresentam a matemática de forma diversa e interessante. Para os pequenos, um exemplo que gostamos muito são os livros da coleção Tan Tan (Callis Editora). Para os mais velhos, livros de desafios, como o clássico “O Homem que Calculava” de Malba Tahan, serão fontes de aprendizado e diversão. As opções são muitas, se quiser mais dicas, escreve pra gente ;-) 

8. Valorize o difícil

É fazendo coisas que nos desafiam que realmente nos desenvolvemos e é na superação desses desafios que descobrimos o prazer pela aprendizagem. Quando perdermos o medo de encarar o difícil, descobrimos que podemos muito!

9. Jogue com seus filhos

Jogos são ótimas ferramentas para desenvolver o pensamento abstrato, o senso numérico, o pensamento estratégico e probabilístico. Isso tudo com muita diversão! A lista de opções aqui é grande, só cabe em outro post. 

10. Transmita a ideia de que aprender é um processo

Não compreender de primeira não quer dizer que a criança não será capaz de compreender profundamente aquele assunto. Aprender é um processo que requer tempo, erros, esforço, troca de ideias, persistência. Se não entendemos alguma coisa, não entendemos ainda!

Com a matemática eu posso!

"Com a matemática eu posso!" (With Math I Can!) é o nome de uma importante iniciativa lançada nos EUA por um grupo de organizações liderado pela Amazon Education. Essa iniciativa tem como principal objetivo incentivar uma mudança de atitude com relação à matemática daqueles estudantes que não se sentem capazes de aprendê-la.

Participando dessa iniciativa está a pesquisadora Jo Boaler da Universidade de Stanford. A Dra. Boaler foi uma das primeiras pesquisadoras a aplicar o conceito de "mentalidade de crescimento" no ensino da matemática. Seu mais recente livro, "Mathematical Mindsets", é um dos pilares conceituais do projeto.

Resumidamente, um estudante com "mentalidade de crescimento" é aquele que acredita que suas habilidades podem ser desenvolvidas e ampliadas através da dedicação e do esforço. Essa visão cria interesse pelo aprendizado e resiliência, que é essencial para nossas realizações e superação dos nossos desafios.

Uma recente pesquisa nos EUA mostrou que mais de 50% dos jovens dizem "não serem bons em matemática". Ainda assim, 93% dos entrevistados concorda que o desenvolvimento de boas habilidades matemáticas é essencial para suas vidas.

Nós acreditamos com esforço e dedicação "todos podem" e divulgamos essa idéia!

 

Como aprender matemática?

Como aprender matemática? Essa é a pergunta que a Prof.ª Jo Boaler da Universidade de Stanford busca responder em sua pesquisa. Suas conclusões são muito interessantes e desafiam o senso comum.  

Ela mostra que crianças e jovens aprendem melhor quando estudam de forma ativa e participativa, discutindo problemas. Os alunos devem ser constantemente desafiados e os erros devem ser encarados como grandes oportunidades de aprendizado e crescimento.

Finalmente, uma sala de aula deve ser livre de esteriótipos, as pesquisas mostram que "todos podem aprender matemática". A Prof. Boaler publicou o livro "What's Math Got to Do with It?" que apresenta em maiores detalhes sua pesquisa sobre a educação da matemática. Vale a pena!

 

Dra. Jo Boaler, Universidade de Stanford.

Dra. Jo Boaler, Universidade de Stanford.