Os Círculos de Matemática

Há mais de um século, a partir dos anos 1910, surgiam na Bulgária e na Russia os "Círculos de Matemática", uma forma diferente de aprender matemática. Eram grupos de alunos liderados por matemáticos que discutiam soluções de problemas (em contraste com o formato expositivo e menos ativo das aulas tradicionais). Nos anos que se seguiram, os Círculos tornaram-se parte importante da academia matemática da Europa Oriental, uma forma dos matemáticos passarem sua cultura para as novas gerações de alunos.

Somente os anos 1990, os Círculos chegaram ao Ocidente. Em 1994, os professores de Harvard Bob e Ellen Kaplan criaram o The Math Circle, o primeiro Círculo nos EUA. Alguns anos depois, em 1998, a Prof.ª Zvezdelina Stankova  criou o Circulo de Matemática de Berkeley, ela mesma uma ex-aluna no Círculo de Matemática de sua cidade natal na Bulgária. Os Círculos cresceram e multiplicaram-se nos últimos 20 anos. Hoje são mais de 230 círculos (para estudantes e professores), somente nos EUA, reunidos em torno da National Association of Math Circles.

Os Círculos variam em sua forma e objetivos, mas algumas características estão sempre presentes: os alunos aprendem fazendo matemática de forma ativa e colaborativa, trabalham na solução de problemas abertos e têm contato com temas que vão além dos currículos escolares. Dessa forma, aproximam-se um pouco do dia-a-dia de um pesquisador da matemática e do prazer de fazer descobertas!

 

A Medalha Fields

A Medalha Fields, concedida pela União Internacional de Matemática (IMU), é considerada a maior honraria recebida por um matemático. Por esta razão, é sempre comparada ao prêmio Nobel. Mas a Fields tem uma peculiaridade: só podem ganhar esse prêmio os matemáticos de até 40 anos.

Essa regra causa algumas situações curiosas como o caso do matemático Andrew Wiles que conseguiu provar o famoso "último teorema de Fermat". Esse problema desafiou os matemáticos por 350 anos e sua prova foi um grande acontecimento. Infelizmente, Wiles tinha 41 anos quando apresentou a prova final e, por isso, não recebeu o prêmio.

A última premiação foi em 2014 e o Brasil teve muitos motivos para comemorar: Artur Ávila, que pesquisa em uma área conhecida como “Sistemas Dinâmicos”, foi o primeiro brasileiro agraciado na história do prêmio (que começou em 1936). Isso não é pouco, é o maior prêmio já conquistado por um cientista brasileiro.

Além disso, esse prêmio ajuda a divulgar o trabalho do IMPA, instituto onde Ávila fez mestrado e doutorado. Mostra que, além do talento individual de Ávila, existe uma evolução da matemática no Brasil fruto de um longo trabalho desses pesquisadores brasileiros. Motivo de muito orgulho!

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