Quem é o número 4?

quem-ee-o-número-4.png

Primeiro, eles contam de 1 a 3. Depois de um tempo, descobrem o 4. Vem então o 5, o 6, o 7… até o 10. Em um mundo absolutamente numérico, é natural que as crianças se familiarizem com o ato de contar e reconheçam os algarismos bem cedo. No entanto, isso significa que elas já compreendem esses números?

Na verdade, esse é apenas um primeiro passo de uma longa jornada. Saber contar verbalmente é, em um primeiro momento, apenas memorizar uma sequência de palavras. “Um”, “dois” e “três” são repetidos até que a criança perceba que essas palavras se relacionam e possuem uma ordem, como em uma música. A sequência de palavras “pato”, “travesseiro” e “uva” seria igualmente memorizada se repetida várias vezes em algum contexto.

Desse modo, precisamos ir além dessa memorização. Então, juntamente com os nomes desses números, apresentamos as quantidades.

“Um gato”

“Dois olhos”

“Três brinquedos”

Nessa hora, damos mais um passo! As crianças começam assim a reconhecer e nomear a característica quantidade de diferentes conjuntos. Conseguem então contar os brinquedos, as pessoas em uma foto e os dedos das mãos (dedos que serão recursos importantes nessa descoberta numérica).

Com isso, a contagem vai cada vez mais longe, caminhando para o 20, depois para o 100. Quantidades muito grandes viram o “mais de mil”. Mas mesmo com o reconhecimento de grandes números, ainda falta um passo importante a ser dado: conhecer esses números de uma maneira significativa e diversa. O 4 é o 3+1, o 2+2, o 10-6 e muitas outras coisas. Também pode ser uma medida (4 metros ou 4 quilos), pode ser uma quantidade (4 bolinhas), um código (internet 4G)... pode até mesmo ter representações distintas, como IV ou quatro pauzinhos. Tomar posse de um número é reconhecê-lo em diferentes contextos e conseguir manipulá-lo de maneira livre, sem se preocupar com a memorização de regras e procedimentos.

E o que podemos fazer para incentivar essa construção numérica rica em significados e relações? Brincar! Quando escondemos 4 objetos pela casa num caça ao tesouro, as crianças naturalmente contam quantos já foram encontrados e quantos ainda faltam. A dança das cadeiras pode estimular a subtração por 1. Os jogos de tabuleiro, em sua maioria, são também ótimos recursos - contar pontos, cartas, comparar resultados… um simples par ou ímpar já carrega muita matemática (e é até objeto de estudo em uma de nossas aulas de probabilidade).

Por isso, oferecer brincadeiras, desafios e investigações que incentivem o estabelecimento de relações entre as atividades cotidianas e os números é, segundo as pesquisas mais recentes em educação matemática, um caminho excepcional para o desenvolvimento do raciocínio numérico das crianças. É importante ir além da simples contagem para que nossos filhos e alunos tenham intimidade com os números, com aprendizados relevantes e conexões cerebrais mais potentes. Lembrando que você pode encontrar alguns desafios e sugestões de jogos aqui no blog!

Ser amigo do número 4, do 5 e de todos os demais pode ser um grande desafio, mas é fundamental para o aprendizado de cada indivíduo. Então fica a pergunta: qual vai ser a brincadeira numérica de hoje? :-)

Jean Rocatelli - graduado e mestrando em matemática (IME-USP) e professor da Roda de Matemática.


Dez dicas para as crianças aprenderem a amar a matemática

Dez dicas para aprender a amar a matemática.png

1. Nunca diga às crianças que você também é ruim em matemática

Essa é uma dica da professora Jo Boaler da Universidade de Stanford. Dizer isso transmite uma mensagem de que "ser ou não ser bom" na matéria é uma condição inata e que não há o que possamos fazer para mudar isso. As pesquisas na área da neurociência vêm derrubando essas crenças. Nosso cérebro é plástico e, portanto, todos são capazes de aprender.

2. Apresente conceitos básicos desde cedo

Podemos apresentar ideias que serão fundamentais no entendimento da matemática desde cedo. Ideias de ordenação, contagem, quantidade, classificação, divisão de objetos, simetrias etc, podem facilmente serem inseridas em brincadeiras com crianças ainda bem pequenas. 

3. Desconstrua a ideia de que ser bom em matemática é ser rápido e fazer sem esforço

O que mais podemos incentivar em nossas crianças é que elas amem os desafios. Para isso elas têm que ter tranquilidade de que não serão valorizadas pela velocidade, e sim pela profundidade e diversidade de seus pensamentos.

4. Mostre a matemática como importante e interessante

Que tal apresentar um desafio lógico interessante no almoço de domingo? Ou contar para seus filhos como a matemática nos ajuda a entender o mundo em que vivemos? Ou como a matemática está por traz de toda a tecnologia que tem mudado nossas vidas? Serão momentos inspiradores para as crianças.

 5. Ressignifique o erro

Para que as crianças se permitam investigar e levantar hipóteses sobre problemas que, a princípio, elas não sabem resolver, é imprescindível que o erro seja visto como parte natural, indissociável desse processo. Aqui na Roda de Matemática, dizemos que os "erros são nossos amigos", e essa é uma mensagem muito libertadora.

6. Elogie a postura

Troque elogios que se refiram a condições teoricamente inatas, como ser brilhante, ser inteligente; por elogios relacionados à postura da criança: esforço, persistência, até a alegria que ela eventualmente demonstre pelo desafio mais difícil. Os resultados das pesquisas da professora Carol Dweck mostram que quando uma criança é elogiada pelo seu “brilhantismo”, ela tende a querer manter esse status e limita suas escolhas ao que ela já sabe.

7. Compre livros de matemática

Existe uma quantidade enorme de livros que apresentam a matemática de forma diversa e interessante. Para os pequenos, um exemplo que gostamos muito são os livros da coleção Tan Tan (Callis Editora). Para os mais velhos, livros de desafios, como o clássico “O Homem que Calculava” de Malba Tahan, serão fontes de aprendizado e diversão. As opções são muitas, se quiser mais dicas, escreve pra gente ;-) 

8. Valorize o difícil

É fazendo coisas que nos desafiam que realmente nos desenvolvemos e é na superação desses desafios que descobrimos o prazer pela aprendizagem. Quando perdermos o medo de encarar o difícil, descobrimos que podemos muito!

9. Jogue com seus filhos

Jogos são ótimas ferramentas para desenvolver o pensamento abstrato, o senso numérico, o pensamento estratégico e probabilístico. Isso tudo com muita diversão! A lista de opções aqui é grande, só cabe em outro post. 

10. Transmita a ideia de que aprender é um processo

Não compreender de primeira não quer dizer que a criança não será capaz de compreender profundamente aquele assunto. Aprender é um processo que requer tempo, erros, esforço, troca de ideias, persistência. Se não entendemos alguma coisa, não entendemos ainda!

Aprender matemática é estar pronto para o futuro, seja ele qual for!

A Matemática é muito mais que seguir procedimentos, é saber pensar, é estar pronto para o futuro, seja ele qual for!
Se pudermos ensinar as crianças a amar desafios, elas terão mais segurança no caminho escolar e na vida. Aqui na Roda de Matemática, essa habilidade é trabalhada num ambiente criativo, onde cada ideia é ouvida, onde é seguro se arriscar.
Nesses três anos, percebemos que neste ambiente, as crianças rapidamente mudam sua postura perante problemas desafiadores e melhor, levam isso para outras áreas de suas vidas. Vem amar a matemática com a gente!

Karen Uhlenbeck é a primeira mulher a ganhar o Abel Prize

O Abel Prize, muitas vezes comparado ao Prêmio Nobel, juntamente com a Medalha Fields, é uma das maiores honrarias da matemática. Essa condecoração foi concedida este ano, pela primeira vez, a uma mulher.

A Academia Norueguesa de Ciências e Letras decidiu premiar Karen, da Universidade do Texas, em Austin, EUA pelo o enorme impacto de seu trabalho em análise, geometria e física matemática.

Além de grande matemática, Karen é um modelo de inspiração e uma ativa defensora da igualdade de gênero na ciência e na matemática. Ela também é uma das fundadoras do programa Women and Mathematics (WAM), criado em 1993 no Instituto de Estudos Avançados em Princeton, para recrutar e capacitar mulheres para a pesquisa matemática.

Karen-Uhlenbeck-Abel-Prize-2019.jpg

Cubocta: nosso presente de 2018!

Hoje tivemos a última aula de 2018 na Roda de Matemática! Foi um ano cheio de alegrias e descobertas matemáticas. Como presente de fim de ano, cada um de nossos alunos ganhou um cuboctaedro!

O cuboctaedro é um sólido geométrico intermediário entre o cubo e o octaedro, formado por seis faces quadradas e oito faces triangulares. Quando montado com conexões flexíveis o cuboctaedro pode se transformar em diversas outras formas, que aguçam a imaginação.

O vídeo abaixo mostra algumas das possíveis transformações do cuboctaedro. Quem descobrir mais alguma, traz pra gente ver no ano que vem ;-)

Ótimas férias e até breve!

Poesia do cuboctaedro

Eu sou o Cubocta,

tenho múltiplas formas.

Existo para ser tocado,

Animado, transformado,

e até... interpretado. 

Confesso que sou meio cubo,

meio octaedro, mas... 

não tenho nada de complicado. 

É você que me dá sentido 

Você me faz criativo! 

Basta você mexer comigo, 

com um jeitinho bem distraído.

Lima do Valle

Kubos Investigações

Roda de Matemática ensina crianças a amar a disciplina

Ficamos muito felizes e orgulhosos pelo reconhecimento que o IMPA fez do trabalho da Roda de Matemática! O IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada) é o mais importante centro de pesquisa matemática do país e um centro de pós gradução de excelência internacional. A seguir um pouquinho da matéria:

Roda de Matemática ensina crianças a amar a disciplina

O lema de que é mais fácil aprender brincando vale para tudo na vida, até mesmo para a Matemática. Baseado neste pensamento, Gustavo Aleixo, Ligia Zorzo e Janaina Villela criaram há dois anos, em São Paulo (SP), a Roda de Matemática, escola para crianças de 5 a 12 anos, cujo objetivo é ensinar a amar a Matemática e construir com ela uma relação positiva.

Inspirada nos círculos matemáticos do Leste Europeu, onde havia encontros entre renomados matemáticos com jovens estudantes para troca de conhecimentos, a escola tem o formato um pouco diferente.

Leia a matéria completa aqui.

roda-de-matematica-materia-impa.jpg

Cinco jogos incríveis que valem por uma aula de matemática!

1. Hex: jogo inventado pelo matemático John Nash (ganhador do prêmio Nobel, retratado no filme “Uma mente brilhante"). É um jogo com regras muito simples e com enormes possibilidades de estratégias. São dois jogadores que tentam conectar lados opostos do tabuleiro. No tabuleiro original, esse jogo nunca termina empatado (resultado provado matematicamente pelo próprio Nash.

2. Rat-a-tat Cat: esse é um dos nossos jogos preferidos! Ganhador do Mensa Select Award, esse jogo envolve números, probabilidades, tomada de decisão sob incerteza e memória num contexto divertido. O objetivo é livrar-se dos ratos e ficar com os gatos, buscando a mínima soma dos números das suas quarto cartas. O jogo pode ser disputado em grupos de até 6 participantes (a partir de 6 anos), ótimo para jogar em família! Se quiser as regras em português, escreve pra gente!

3. Hora do Rush: neste desafio lógico, você tem que abrir caminho para que o carrinho vermelho escape do congestionamento. O jogo traz vários desafios ordenados em 4 níveis de dificuldade. Isso permite que crianças de várias idades possam jogar. É um jogo que trabalha o raciocínio lógico e a solução de problemas. Uma forma bacana de participar é discutir com seu filho os possíveis movimentos para a solução antes de começar a mover as peças. Faça perguntas, não dê respostas!

4. Torre de Hanoi: criado pelo matemático francês Édouard Lucas em 1883, esse quebra-cabeça consiste em uma base com três pinos e discos de diferentes diâmetros. O desafio é passar todos os discos de um pino para outro qualquer, de maneira que um disco maior nunca fique em cima de outro menor, em nenhum momento. A dificuldade do desafio depende do número de discos. Crianças a partir de 5 anos, podem resolver a torre com 3 ou 4 discos. Para crianças maiores inclua mais discos e peça para que expliquem o “algoritmo” que usaram na solução. Desafie-os a buscar a solução com o menor número de movimentos: para 3 discos são 7 movimentos, para 6 discos são 63 movimentos!

5. Pontos e Caixas: outro jogo criado pelo matemático Édouard Lucas. Este clássico jogo de “lápis e papel” utiliza um quadriculado de pontos em que cada jogador, alternadamente, liga dois pontos na horizontal ou na vertical. Sempre que fechar um quadrado (caixa), escreve sua inicial dentro da caixa. Ganha quem ao final tiver fechado o maior número de caixas. Segundo as regras, quem completa uma caixa ganha o direito de uma nova jogada. Isso faz com que o jogo ganhe uma dinâmica muito interessante, com incríveis reviravoltas.

 

5 Jogos que valem uma aula de matemática (1).png

Coleção Mousematics

Muitos pais nos pedem referências de livros para fazerem atividades em casa com seus filhos. Uma coleção que sempre indicamos é a "MouseMatics - Learning Math the Fun Way" para crianças de 4 a 8 anos. O que torna esses livros de atividades únicos é que buscam despertar o interesse das crianças pelo mundo da lógica e da matemática de uma forma diferente dos livros tradicionais.

A autora, Jane Kats, organiza círculos de matemática em diversos países e traz essa experiência na criação do material. As atividades são elaboradas evitando estereótipos comuns em livros de matemática: em alguns casos há mais de uma solução possível, ou não há solução, por exemplo.

Outra característica muito bacana desses livros é que apresentam problemas que vão além dos números e operações. Buscam desenvolver a capacidade de pensar de forma lógica: a habilidade de identificar atributos, de encontrar objetos idênticos ou apontar o diferente, classificar, ordenar, transformar, etc. É disso que esses "workbooks" tratam!

Essas atividades são oportunidades de passarmos bons momentos com nossos filhos, criando um ambiente em que a matemática é valorizada.

Uma dica importante é que devemos estar sempre juntos das crianças nessas atividades, mas sem dar respostas. Principalmente os pequenos, precisarão de explicações sobre o que deve ser feito. Podemos estimulá-los a superar os desafios fazendo perguntas que os levem a pensar. Uma regra de ouro da Roda de Matemática é: não dê respostas, faça perguntas!

MouseMatics.jpg